Os estudantes do curso de Letras do Polo/Campus Grajaú, do Programa Ensinar, participaram de uma aula de campo no dia 25 de abril, às margens do Rio Grajaú, com o objetivo de investigar e registrar o léxico especializado utilizado por pescadores da região.
A atividade foi realizada na disciplina Linguística Aplicada, ministrada pelo Prof. Me. Tiago de Oliveira Ferreira, e teve como tema central a pesquisa de palavras e expressões típicas do cotidiano dos pescadores locais. O trabalho pretende resultar na produção de um glossário com termos próprios do vocabulário ribeirinho.
De acordo com o professor Tiago Ferreira, a aula de campo teve papel essencial para aproximar os alunos da realidade linguística e cultural da comunidade. “Essa experiência contribui diretamente para valorizar o léxico ribeirinho e incentivar a pesquisa acadêmica, reforçando a importância de registrar e reconhecer saberes tradicionais presentes na linguagem dos pescadores, que fazem parte da identidade cultural do Rio Grajaú”, destacou.
Durante a vivência, os acadêmicos tiveram contato direto com pescadores e observaram como o uso da linguagem está ligado às práticas de trabalho, à tradição e à memória coletiva. Para a aluna Elina da Silva Santos Sales, a atividade revelou aspectos importantes da transmissão cultural presente na fala dos ribeirinhos.
“Esse processo de contato linguístico com os pescadores do Rio Grajaú nos deu a oportunidade de perceber algumas expressões populares que foram transmitidas de geração em geração, inclusive tendo a influência indígena da região. Foi um momento enriquecedor onde pudemos perceber ainda melhor como a variação linguística reflete a identidade cultural do nosso povo”, relatou.
A estudante Camila também destacou a relevância do contato direto com a comunidade e como isso fortalece o olhar acadêmico sobre a diversidade linguística. “A aula de campo foi um momento de aprendizado e escuta que nos proporcionou um contato direto com a cultura linguística dos povos ribeirinhos, na qual tivemos a oportunidade de ouvir, dialogar e aprender com os pescadores, valorizando suas experiências e os saberes construídos no cotidiano”, afirmou.
Ainda, segundo ela, a vivência despertou maior interesse pela pesquisa e pela aproximação com outras realidades culturais. “Essa vivência despertou, não apenas em mim, mas creio que também nos colegas, um maior interesse pela pesquisa e pela aproximação com outras culturas e realidades, algo que considero essencial. A pesquisa lexical, nesse contexto, se mostra fundamental, pois permite compreender como a linguagem expressa a relação desses sujeitos com o meio em que vivem, preservando memórias, identidades e modos de vida”, completou.
A estudante ainda ressaltou a importância de reconhecer e inserir essas comunidades no cenário cultural mais amplo, como forma de fortalecer identidades e valorizar modos de vida tradicionais. “Como afirma Ailton Krenak, é necessário aceitar que existem outras formas de viver e de se organizar para além daquelas centradas no mercado. Assim, a aula de campo não foi apenas uma atividade acadêmica, mas uma experiência significativa de escuta, respeito e valorização da diversidade cultural”, concluiu.
A atividade promoveu práticas pedagógicas que unem teoria e vivência, fortalecendo a formação dos futuros profissionais de Letras e contribuindo para a valorização do patrimônio linguístico e cultural maranhense.





