Duas professoras e pesquisadoras da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), do Campus Coelho Neto, conquistaram aprovação no Programa Centelha, iniciativa voltada ao incentivo de projetos inovadores e ao fortalecimento do empreendedorismo científico. A proposta aprovada, intitulada “BIOREPEL GRÃOS MA – Bioinsumos Naturais”, ficou em 6º lugar na seleção e garantiu subvenção econômica de R$ 80 mil, além da possibilidade de acesso a R$ 50 mil em bolsas de apoio técnico.
O projeto é coordenado pela Profa. Dra. Michela Costa Batista, com vice-coordenação da Profa. Dra. Aldilene da Silva Lima. Ambas destacaram a relevância do resultado para o fortalecimento da pesquisa no interior do estado e para o desenvolvimento de soluções sustentáveis voltadas à agricultura.
De acordo com as pesquisadoras, o Programa Centelha oferece apoio estruturado a iniciativas inovadoras, incluindo capacitações, suporte especializado, recursos financeiros e bolsas, com o objetivo de transformar ideias em empreendimentos com potencial de mercado. No Maranhão, o programa é executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).
A proposta aprovada prevê o desenvolvimento de bioinsumos naturais para o controle de pragas em grãos armazenados, como os carunchos que atacam alimentos como milho e feijão. A iniciativa consiste em prospectar plantas nativas do Cerrado do leste maranhense, extrair óleos essenciais e testar seu potencial como substâncias inseticidas e repelentes, com foco na criação de produtos que possam futuramente ser comercializados.
“A ideia é criar e desenvolver produtos que tenham ação inseticida ou repelente contra essas pragas, a partir de óleos essenciais extraídos de plantas nativas da nossa região”, explicou a coordenadora Michela Batista.
Para a docente, a aprovação representa uma conquista significativa, especialmente por se tratar do primeiro edital de empreendedorismo em que participaram e também o primeiro projeto aprovado com fomento desde que se tornaram professoras efetivas no campus.
“Foi uma vitória grande para a gente, porque somos professoras recém efetivadas e este é o primeiro projeto que conseguimos aprovar com fomento. Isso vai dar um gás na nossa pesquisa e permitir ampliar nossas atividades no campus”, destacou Michela.
O investimento, segundo ela, será fundamental para custeio e aquisição de equipamentos, garantindo melhores condições para a continuidade e expansão da pesquisa científica desenvolvida em Coelho Neto.
Além do impacto acadêmico, a aprovação também é vista como estratégica para o fortalecimento institucional do campus. As pesquisadoras ressaltaram que, por ser uma unidade do interior e de pequeno porte, o Campus Coelho Neto enfrentava limitações para ampliar ações científicas, especialmente na área de Ciências Biológicas. Com a chegada de novos docentes efetivos, foi possível avançar na aprovação de projetos como PIBIC e PIBIT, e agora o Centelha surge como mais um passo para consolidar a pesquisa local.
“Essa aprovação é muito importante para o campus e para a Uema como um todo, porque mostra que um campus do interior pode ampliar suas pesquisas e contribuir em uma área de grande destaque, como a biotecnologia”, enfatizou a coordenadora do projeto.
O projeto também se destaca por atender uma demanda relevante no setor agrícola, considerando que há perdas significativas no pós-colheita devido à ação de pragas em grãos armazenados. Nesse sentido, a iniciativa pretende oferecer uma alternativa sustentável, com potencial de fortalecer o cenário de inovação no estado.
“É uma área com grande demanda por insumos. A gente acredita que será muito bom para o campus, para a Uema e para o Maranhão, pois pode resultar em uma solução biotecnológica com potencial de despontar no cenário de inovação”, completou.
Com a aprovação no Programa Centelha, as pesquisadoras iniciam agora uma nova etapa de desenvolvimento do projeto, que une ciência, sustentabilidade e empreendedorismo, contribuindo para o avanço da pesquisa aplicada e para a criação de soluções inovadoras com impacto econômico e social.

