A Universidade Estadual do Maranhão (Uema), por meio do Programa Ensinar, realizou, na tarde do dia 20 de junho, no Polo São Bento, a mesa redonda “Movimentos Sociais na Baixada Maranhense: sujeitos coletivos, identidades e processos de mobilização”. A atividade integrou a disciplina Movimentos Sociais, do curso de Licenciatura em Ciências Sociais, sob coordenação do professor Dr. Filipe da Cunha Gomes, e reuniu estudantes e representantes de diferentes organizações sociais da região para um diálogo sobre participação política, organização coletiva e defesa de direitos.
A iniciativa teve como objetivo aproximar o conhecimento acadêmico das experiências vivenciadas por lideranças dos movimentos sociais da Baixada Maranhense, permitindo que os estudantes relacionassem os referenciais teóricos da Sociologia dos Movimentos Sociais às práticas desenvolvidas por povos e comunidades tradicionais, movimentos quilombolas, organizações sindicais, fazedores de cultura e movimentos de mães atípicas.
A mesa redonda contou com a participação de Dhamara Lobato e Francidalva Nascimento, representando a Associação de Mães Atípicas do Maranhão; Everaldo Pereira, representante de uma organização de fazedores de cultura; José Maria Pestana, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar; e Maria Amélia e Daniele Melo, representantes do movimento quilombola das comunidades Triângulo e Cruzeiro.
Um dos diferenciais da atividade foi o protagonismo dos próprios estudantes na construção do evento. Grande parte da turma do curso de Ciências Sociais possui atuação ou vínculo com lideranças dos movimentos sociais presentes nos territórios da Baixada Maranhense. A partir dessa relação, os acadêmicos realizaram os convites aos participantes, fortalecendo a integração entre universidade e comunidade.
Segundo o professor Filipe da Cunha Gomes, a proposta da mesa redonda partiu da compreensão de que o estudo dos movimentos sociais se torna mais significativo quando o conteúdo teórico dialoga diretamente com as experiências concretas dos sujeitos que protagonizam as lutas sociais em seus territórios.
Ao longo do encontro, os participantes compartilharam experiências relacionadas à defesa de direitos, à preservação das identidades coletivas, às mobilizações comunitárias e aos desafios enfrentados por diferentes grupos sociais da região. As discussões permitiram aos estudantes compreender como conceitos como identidade, reconhecimento, participação política e justiça social se manifestam na realidade da Baixada Maranhense.
Para os futuros professores de Ciências Sociais, a atividade representou uma oportunidade de ampliar a compreensão sobre a diversidade de sujeitos coletivos presentes no território maranhense e fortalecer uma formação comprometida com a leitura crítica da realidade, valorizando as diferentes formas de organização social e participação política.
Aprendizado que ultrapassa a sala de aula
Para a acadêmica Jaciane de Jesus Costa Pacheco, a experiência foi um dos momentos mais marcantes de sua formação universitária.
“Foi um momento extremamente significativo e enriquecedor para minha formação acadêmica e pessoal. Tivemos a oportunidade de ouvir representantes de diferentes movimentos sociais e compreender, por meio de suas vivências, a importância da organização coletiva, da resistência e da luta por direitos.”
A estudante destacou que um dos aspectos mais relevantes da atividade foi perceber, na prática, conceitos trabalhados durante a disciplina.
“As contribuições de autores como Stuart Hall e Nancy Fraser puderam ser identificadas em diversos relatos apresentados pelos convidados. As discussões sobre identidade, reconhecimento, representatividade, pertencimento e justiça social deixaram de ser apenas conteúdos teóricos para ganharem vida nas histórias compartilhadas durante o encontro.”
Entre os depoimentos apresentados, Jaciane ressaltou o relato de Francidalva Nascimento, representante da Associação de Mães Atípicas do Maranhão. Mãe solo de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo uma delas também diagnosticada com glaucoma congênito e outras condições de saúde, Francidalva emocionou os participantes ao compartilhar sua trajetória de superação, sua busca por educação por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e seu desejo de contribuir para outras famílias que vivenciam situações semelhantes.
Ao final da atividade, a acadêmica afirmou que o encontro transformou sua percepção sobre a realidade das mães atípicas e reforçou seu compromisso com uma atuação profissional sensível às questões sociais.
“Sem dúvida, foi um momento de grande aprendizado, que contribuiu significativamente para minha formação enquanto futura profissional. As falas da Francidalva me marcaram profundamente e mudaram minha perspectiva sobre a realidade vivida pelas mães atípicas.”




