A valorização da identidade, da ancestralidade e da memória coletiva marcou o Momento Cultural de apresentação da Proposta de Intervenção Pedagógica desenvolvida por acadêmicos do curso de Licenciatura em Ciências Sociais do Programa Ensinar, Polo Viana. A atividade teve como tema “Autores Negros e Educação Escolar Quilombola: a presença de autores negros no currículo escolar da Escola Municipal Estevam Corrêa, na Comunidade Quilombola Cajueiro, município de Viana – MA”.
A ação integrou as atividades da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Proposta Pedagógica e Proposta de Intervenção, sob orientação do professor Emanuel Farias, e foi realizada pelos acadêmicos Bruno Flávio Barros Rocha Gomes, Flávio Sampaio Mendes e Elinelma Salgado Lindoso.
O momento cultural aconteceu na manhã do dia 29 de junho de 2026, na Escola Municipal Estevam Corrêa, localizada na Comunidade Quilombola Cajueiro, no município de Viana (MA). A iniciativa teve como objetivo apresentar à comunidade a proposta de intervenção pedagógica construída a partir de uma pesquisa realizada no próprio território quilombola.
Durante o estudo, os acadêmicos identificaram que muitas crianças da comunidade ainda conheciam pouco sobre sua própria história, identidade, direitos e os conhecimentos ancestrais preservados pelos moradores mais antigos. Diante dessa realidade, foi elaborada uma cartilha educativa baseada nas histórias narradas pelos próprios membros da comunidade, buscando fortalecer a Educação Escolar Quilombola, preservar a memória coletiva, valorizar a ancestralidade e incentivar as novas gerações a conhecerem suas origens e manterem viva a cultura quilombola.
A programação contou com ampla participação dos estudantes da Escola Municipal Estevam Corrêa, que protagonizaram apresentações de coreografias, danças e outras manifestações culturais representativas da identidade quilombola. Além das apresentações, as crianças participaram de momentos de diálogo sobre a história da comunidade, conheceram a cartilha educativa e refletiram sobre a importância da ancestralidade, da identidade quilombola e dos direitos assegurados pela Educação Escolar Quilombola.
Para o professor, quilombola e acadêmico do curso de Educação Escolar Quilombola da UEMA, Campus São Bento, Raimundo Nonato Aroucha, a iniciativa representa um importante instrumento de fortalecimento da cultura local.
“Enquanto professor e também estudante do curso de Educação Escolar Quilombola da UEMA, este dia foi muito prazeroso e extremamente significativo para todos nós, especialmente para as nossas crianças. Esta cartilha chega para contribuir com a conscientização da comunidade sobre a importância de conhecer sua própria história, valorizar seus direitos, fortalecer sua identidade e preservar sua cultura. Ela ajuda a manter viva a chama da resistência e da ancestralidade, permitindo que os conhecimentos deixados pelos nossos antepassados continuem sendo transmitidos às novas gerações. Quando nossas crianças conhecem suas raízes, elas desenvolvem orgulho de sua comunidade e compreendem que preservar a história do povo quilombola é também preservar sua própria identidade. Essa parceria entre a universidade e a comunidade demonstra que a educação é um caminho fundamental para fortalecer nossa cultura e garantir que ela permaneça viva para as futuras gerações.”
O impacto da ação também foi percebido pelos estudantes. O aluno João Miguel, da Escola Municipal Estevam Corrêa, destacou o aprendizado proporcionado pela atividade.
“Eu gostei muito do que aconteceu hoje. Achei tudo muito legal. Gostei das apresentações, das danças e também da cartilha. Eu aprendi muitas coisas que eu não conhecia sobre o lugar onde eu moro. Gostei de ouvir as histórias que contaram pra gente e quero mostrar a cartilha lá em casa. Espero que tenha mais dias assim na escola, porque foi muito divertido e eu aprendi bastante.”
A atividade reforçou o compromisso da Universidade Estadual do Maranhão com uma formação acadêmica conectada às realidades sociais e culturais das comunidades onde atua. Ao aproximar universidade, escola e comunidade quilombola, a proposta contribuiu para a valorização dos saberes tradicionais, o fortalecimento da identidade étnico-racial e a promoção de uma educação comprometida com a inclusão, a diversidade e a preservação do patrimônio histórico e cultural.




