O professor adjunto do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Campus Itapecuru Mirim, João Ferreira Silva Júnior, é um dos autores do artigo científico que analisa o panorama do uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF) no Brasil, conhecidos popularmente como cigarros eletrônicos ou vapes. O estudo foi publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública, uma das mais conceituadas da área da saúde coletiva no país.
A pesquisa utilizou dados do sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, referentes aos anos de 2019 a 2023, envolvendo mais de 126 mil brasileiros. Os resultados revelaram que o uso dos cigarros eletrônicos é mais frequente entre jovens de 18 a 24 anos, do sexo masculino, moradores das regiões Centro-Oeste e Sul, além de pessoas que relataram consumo excessivo de álcool e uso de cigarros convencionais.
O estudo também identificou associação entre maior escolaridade, tempo excessivo de tela, acima de três horas diárias, e maior prevalência de uso dos dispositivos eletrônicos para fumar. Segundo os pesquisadores, o ambiente digital e as redes sociais têm contribuído para ampliar a exposição dos jovens à publicidade e ao consumo desses produtos.
Apesar da comercialização, propaganda e importação dos cigarros eletrônicos serem proibidas no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os pesquisadores destacam que o uso desses dispositivos continua crescendo de forma heterogênea no país.
De acordo com o artigo, o avanço do consumo preocupa autoridades de saúde devido aos impactos associados ao uso dos dispositivos, incluindo doenças cardiovasculares, lesões pulmonares e dependência de nicotina. O estudo também menciona os casos de EVALI, condição relacionada a lesões pulmonares provocadas pelo uso de cigarros eletrônicos, que já resultaram em internações e óbitos em diferentes países.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre pessoas autodeclaradas indígenas. O artigo aponta que esse cenário desperta atenção do Ministério da Saúde e de formuladores de políticas públicas devido às desigualdades sociais e territoriais relacionadas à disseminação desses dispositivos.
Para João Ferreira Silva Júnior, a pesquisa contribui para ampliar o debate sobre os riscos associados aos cigarros eletrônicos e reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção e fiscalização, especialmente entre os jovens.
“O estudo mostra que o uso dos dispositivos eletrônicos para fumar está associado a diferentes fatores sociais e comportamentais. Isso evidencia a importância de fortalecer estratégias educativas, ampliar a regulação do ambiente digital e desenvolver ações direcionadas aos grupos mais vulneráveis”, destacou o professor.
Além de João Ferreira Silva Júnior, o artigo contou com a participação dos pesquisadores Antônio Gonçalves Filho, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e Verônica Silva Carneiro, da Secretaria Municipal de Educação de Presidente Dutra.
