O estudante Natanael Vieira, do curso de Licenciatura em Educação Quilombola, vinculado ao Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (Proetnos) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Campus Itapecuru Mirim, conquistou o título de mestre em Letras após defender, no último dia 29 de abril de 2026, sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Letras da instituição.
Intitulada “A escrevivência na obra Quarto de Despejo, Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus (1960): raça, resistência e gênero”, a pesquisa propõe uma análise interseccional da obra da escritora mineira, considerada uma das vozes mais potentes da literatura brasileira. O trabalho aborda questões relacionadas à raça, gênero e resistência social, a partir da perspectiva da escrevivência, conceito que articula experiência vivida e produção literária.
Para Natanael Vieira, a conquista representa muito mais que uma realização acadêmica individual. Segundo ele, o título simboliza a força coletiva de sua trajetória e de sua comunidade.
“Este mestrado não é apenas um título, é um marco histórico na minha trajetória. Sendo do interior de Anajatuba e estudante do Proetnos, na educação quilombola, eu não caminho sozinho: carrego comigo a força de um povo, a memória dos que vieram antes e o sonho dos que ainda virão. Cada página escrita, cada noite de estudo e cada desafio enfrentado foram atravessados por uma certeza: ocupar a universidade é também romper silêncios, desafiar estruturas e afirmar que nossos saberes têm lugar, têm voz e têm poder”, destacou.
O novo mestre ressaltou ainda o caráter coletivo e político da conquista: “Hoje, ao me tornar Mestre em Letras, não celebro apenas uma conquista individual, mas um gesto político, coletivo e ancestral. É a prova viva de que a educação pública transforma destinos, reescreve histórias e fortalece identidades. De Anajatuba para o mundo, sigo, não como exceção, mas como parte de um movimento que resiste, insiste e existe”, afirmou.
A conquista de Natanael dialoga diretamente com a missão do Proetnos, que tem como foco a valorização da diversidade étnica, o fortalecimento dos saberes quilombolas e a ampliação do acesso de grupos historicamente marginalizados ao ensino superior.

