Egressos da UEMA criam aplicativo que aproxima fieis e sacramentos na Semana Santa
Com o ritmo regular das atividades religiosas, os católicos seguem sua vivência de fé por meio da participação nas celebrações da Santa Missa ao longo do ano. Em São Luís, católicos nativos, turistas e neófitos (recém-convertidos ao catolicismo) contam também com o auxílio da tecnologia para acompanhar missas, conteúdos formativos e experiências de espiritualidade no cotidiano.
Não se trata de transmissão de missas e celebrações, mas de um aplicativo, Meu Sacramento, tecnologia desenvolvida por egressos da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) que tem no seu principal serviço a entrega horários de missas, confissões e localização para os usuários. Um exemplo concreto de como a universidade pública pode gerar inovação com impacto social nas áreas mais diversas, até mesmo na fé.
A iniciativa é desenvolvida pela startup Acutis Tecnologia, cujo nome faz referência a Carlo Acutis, jovem reconhecido por utilizar os meios digitais como instrumento de evangelização, sobretudo na devoção à Eucaristia (o próprio Deus para os católicos), unindo o diálogo entre fé e tecnologia que inspira o projeto. A startup Acutis Tecnologia é formada por uma equipe multidisciplinar que reúne competências em tecnologia (Roubert Pimenta e Guilherme Santos), pesquisa em comunicação e assessoria de comunicação (Virgínia Diniz), gestão e inovação (Valdiner Rocha), incluindo a área financeira.
Desenvolvido por Roubert Pimenta e Guilherme Santos, egressos de Engenharia da Computação, da Uema, o aplicativo nasceu há 1 ano, a partir da experiência concreta de fé de seus criadores, aliada ao conhecimento técnico adquirido ainda durante a formação acadêmica. O projeto demonstra como a universidade pode ultrapassar os limites da sala de aula e se tornar catalisadora de soluções voltadas às necessidades reais da sociedade.
LEIA MAIS: Confira outros artigos especiais da Uema
O Meu Sacramento oferece funcionalidades que dialogam diretamente com a vida cotidiana dos fiéis: horários de missas e confissões, geolocalização de igrejas, liturgia diária, santo do dia e gestão de eventos católicos. Em um cenário urbano dinâmico, no qual nem sempre é simples encontrar informações confiáveis e atualizadas, a proposta do aplicativo se insere como uma resposta objetiva a uma demanda concreta, especialmente em períodos de maior mobilização religiosa.
Ao completar um ano de existência, a iniciativa alcança mais de sete mil usuários ativos e avança para uma nova etapa: o desenvolvimento de um modelo de pesquisa aplicada voltado ao segmento católico, com foco na criação de um marketplace no estado. A inauguração desse marco passou pelo evento de um ano do App, Conect Luys, realizado na Marandu, agência de inovação da UEMA, que reforça o vínculo entre a universidade e o ecossistema de empreendedorismo que hoje acolhe e impulsiona ideias surgidas no ambiente acadêmico.
Mais do que uma ferramenta digital, o aplicativo revela uma tendência contemporânea: a presença da fé também no ambiente tecnológico. O que que é importante destacar, diferente da tecnologia de transmissão de missas – que também foi uma inovação importante para a fé – o App aponta para soluções que não substituem a experiência sacramental, mas contribuem para organizá-la, ampliá-la e torná-la mais acessível, especialmente para novos fiéis, turistas e pessoas em deslocamento. Ou seja, não é a experiência real substituída pela tecnologia, mas a tecnologia a serviço da fé real. Acessível não apenas à jovens, mas a idosos e pessoas que precisam dos sacramentos.
Em uma cidade como São Luís, majoritariamente católica, e em um país onde a tradição religiosa ainda mobiliza milhões de pessoas, a Semana Santa é um exemplo concreto desse impacto coletivo. Estima-se que mais de 600 mil pessoas participem das celebrações nesse período apenas na capital maranhense. Nesse contexto, a tecnologia se apresenta não como ruptura, mas como ponte: um meio de facilitar o encontro entre as pessoas e a vivência de sua fé.
O caso do Meu Sacramento evidencia, portanto, um movimento mais amplo: o conhecimento produzido na universidade encontra sentido quando se traduz em inovação aplicada, capaz de gerar impacto social. Ao mesmo tempo, demonstra que jovens formados em instituições públicas podem protagonizar iniciativas empreendedoras, especialmente quando inseridos em um ecossistema que valoriza a criatividade, a pesquisa e a transferência de tecnologia.
Trata-se de um sinal de que fé, ciência e inovação não apenas podem coexistir, mas podem, juntas, produzir respostas concretas às demandas da sociedade contemporânea.
Assinam este artigo:
Roubert Pimenta, engenheiro de computação e cofundador da Acutis Tecnologia
Guilherme Santos, engenheiro de computação e cofundador da Acutis Tecnologia
Virgínia Diniz, jornalista e mestre em Comunicação, atua em midiatização da religião e pesquisa aplicada na Acutis Tecnologia
