Por Profa. Dra. Ilka Serra|Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis
O acesso à educação superior no Brasil tem avançado de forma significativa nos últimos anos, especialmente com a ampliação de políticas públicas que facilitam a entrada de estudantes oriundos da escola pública e de contextos socialmente diversos. Esse movimento representa mais do que números: significa oportunidade, mobilidade social e transformação de vidas.
É nesse cenário que a Universidade Estadual do Maranhão (Uema) celebra, em 2026, seus 45 anos de história. Ao longo dessas décadas, consolidou-se como instituição pública multicampi, com forte presença no interior do estado, democratizando o acesso ao ensino superior e ampliando horizontes para milhares de maranhenses. Atualmente, atende mais de 29 mil estudantes em cursos presenciais, a distância e programas especiais, com alunos oriundos de mais de 171 municípios maranhenses e também de outros estados da federação.
O mais recente Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior – PAES 2026 confirma essa trajetória: 48 mil candidatos disputaram vagas em cursos que contemplam áreas estratégicas para o desenvolvimento do Maranhão. A expansão da oferta, com novos cursos de graduação em diferentes campi, evidencia um momento de fortalecimento acadêmico e institucional. Soma-se a isso um dado expressivo: 78,19% dos aprovados em 2026 são egressos da rede pública de ensino, consolidando um padrão de inclusão social e educacional que merece destaque.
Receber esses novos estudantes, contudo, vai muito além da efetivação da matrícula. A cada semestre, promovemos ações de acolhimento integradas à política de assistência estudantil. Não se trata apenas de uma recepção formal, mas da construção de condições para que o estudante se sinta pertencente à universidade, compreenda sua trajetória acadêmica e encontre apoio para enfrentar os desafios dessa nova etapa.
Ingressar no ensino superior é, ao mesmo tempo, motivo de celebração e de ansiedade. Lembro-me bem, há 30 anos, do meu ingresso como estudante nessa Instituição: estava cheia de expectativas para conhecer os professores e os colegas, vivenciar novos aprendizados e, sobretudo, alimentar a esperança de construir uma carreira sólida. Após a graduação, segui para a pós-graduação (mestrado e doutorado) e, em 2007, retornei à Uema, desta vez como docente.
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É nesse contexto de expectativas que se insere o Acolhimento Acadêmico. Os estudantes chegam à universidade repletos de sonhos e dúvidas e, muitas vezes, também inseguros diante dos novos desafios. Por isso, reconhecer e trabalhar essa dimensão humana é fundamental. O acolhimento, nesse sentido, configura-se como um compromisso institucional com a escuta, o respeito à diversidade e a construção de vínculos, favorecendo a integração e o pertencimento à vida universitária.
A cada ano, novos alunos são recepcionados em todos os campi, com uma programação especial, envolvendo gestores, docentes, servidores e os estudantes veteranos, com diferentes atividades que incluem apresentações institucionais, talk shows, palestras, premiações aos estudantes com melhor desempenho no PAES, além de momentos culturais e de integração.
Entendo o acolhimento como um gesto político e pedagógico, como um momento pensado, realmente, para tornar esse contato inicial do estudante com a universidade algo significativo e inspirador que fortalece laços, estimula a permanência e reafirma valores como empatia, inclusão e solidariedade.
A todos que ingressaram na Uema neste semestre letivo que se iniciou essa semana: sejam muito bem-vindos!
*Artigo originalmente publicado no Jornal pequeno em 16/03/2026
