Por: Prof.Dr. Marcelo Cheche| Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Uema
A presença de uma universidade em redes internacionais de pesquisa não deve ser compreendida apenas como uma estratégia de projeção institucional, mas como um investimento na qualidade da educação, na produção do conhecimento e na capacidade de responder aos desafios da sociedade. É nessa perspectiva que a Universidade Estadual do Maranhão (Uema) se prepara para realizar, entre 27 de outubro e 11 de novembro de 2026, uma missão acadêmica em Portugal, Espanha e Itália, com o propósito de fortalecer parcerias científicas, ampliar oportunidades de formação e consolidar sua inserção no cenário internacional.
A iniciativa, conduzida por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPG) e da Superintendência de Relações Internacionais (SRI), integra as ações do Programa CAPES-Global.Edu e representa um passo importante para a consolidação da política de internacionalização da universidade. Mais do que cumprir uma agenda de visitas e reuniões, a missão evidencia uma compreensão estratégica: o desenvolvimento científico exige diálogo, cooperação e intercâmbio de experiências entre instituições de diferentes países.
A aprovação de duas propostas da Uema no âmbito do programa, vinculadas às redes Amazônia Global e GLOBALIS – Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, assegurou à universidade R$ 16 milhões em investimentos. Os recursos destinam-se ao fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação, à mobilidade acadêmica e à ampliação das relações internacionais. Trata-se de uma oportunidade que precisa ser convertida em resultados concretos, capazes de alcançar pesquisadores, professores e estudantes e de contribuir para o desenvolvimento do Maranhão.
A programação da missão contempla instituições de Portugal, da Itália e da Espanha. Em Lisboa, estão previstas atividades nas universidades de Lisboa e Católica Portuguesa, além de visitas à Universidade de Évora, ao Instituto Politécnico de Santarém e à Universidade Aberta de Portugal. Na Itália, a agenda inclui a Universidade de Bolonha e a Universidade de Parma. Na Espanha, as atividades ocorrerão em Barcelona, Lleida e Vigo. A missão será encerrada em Portugal, com compromissos institucionais em Vila Real e na cidade do Porto.
Embora o fortalecimento das parcerias já existentes seja fundamental, um dos aspectos mais relevantes da iniciativa é a possibilidade de estabelecer novas conexões acadêmicas. Nesse sentido, a aproximação com a Universidade de Parma, na Itália, merece destaque. Diferentemente das demais instituições incluídas na programação, com as quais a Uema já mantém relações acadêmicas, a visita a Parma representa um primeiro contato institucional, voltado à construção de futuras parcerias científicas e acadêmicas.
A programação prevista entre 3 e 6 de novembro inclui encontros sobre políticas de cooperação internacional, atividades de articulação acadêmica, diálogo com o Centro Universitário para a Cooperação Internacional e visita à Universidade de Parma. Um dos momentos centrais será a conferência sobre a Amazônia, acompanhada da previsão de assinatura de um Protocolo Internacional dos Doutorados em Regime de Cotutela, em cerimônia prevista para contar com a presença do embaixador do Brasil na Itália.
O regime de cotutela permite que doutorandos desenvolvam suas pesquisas sob orientação compartilhada entre universidades de diferentes países, conforme os termos estabelecidos nos acordos institucionais. Essa modalidade pode ampliar a mobilidade internacional, favorecer o intercâmbio de conhecimentos e proporcionar uma formação acadêmica mais abrangente. Para os programas de pós-graduação da Uema, a perspectiva de novas articulações dessa natureza representa a possibilidade de ampliar horizontes de pesquisa e estabelecer vínculos duradouros com instituições estrangeiras.
A aproximação com a Universidade de Parma também chama a atenção para a importância de inserir a Amazônia e as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável no debate científico internacional. Em um contexto no qual os desafios ambientais, sociais e econômicos ultrapassam fronteiras nacionais, a produção de conhecimento exige abordagens colaborativas e a participação de instituições capazes de contribuir com perspectivas locais e regionais. A universidade maranhense tem, nesse cenário, a oportunidade de valorizar sua experiência acadêmica e ampliar a circulação internacional das pesquisas desenvolvidas no estado.
Internacionalizar uma universidade pública não significa afastá-la de sua realidade local. Ao contrário, significa ampliar suas condições de compreender e enfrentar os desafios do território em que está inserida. Quanto maior sua capacidade de dialogar com outras instituições, compartilhar conhecimentos e acessar novas experiências, maiores poderão ser suas possibilidades de contribuir para o desenvolvimento regional.
Ao participar dessa missão, a Uema reafirma o compromisso de fortalecer a pesquisa e a pós-graduação por meio da cooperação científica. O desafio será fazer com que as conexões estabelecidas em Portugal, na Espanha e na Itália se convertam em oportunidades permanentes para a comunidade acadêmica e em avanços para a sociedade maranhense.
Afinal, o conhecimento não reconhece fronteiras rígidas. Quando universidades cooperam, compartilham experiências e constroem projetos comuns, ampliam não apenas sua presença internacional, mas também sua capacidade de transformar realidades. Para a Uema, investir nessa direção é fortalecer a universidade pública, valorizar a ciência e abrir novos caminhos para o desenvolvimento do Maranhão.
*Artigo orginalmente publicado no Jornal Pequeno no dia 23/10/2026
