No dia 15 de junho de 2026, a Escola Municipal Eurico de Jesus, na comunidade quilombola de Itamatatiua (Alcântara-MA), foi palco do lançamento de materiais didáticos produzidos por estudantes da Licenciatura em Educação Quilombola (LIEQ), do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (Proetnos) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). As obras são fruto de pesquisas desenvolvidas no âmbito da disciplina de Prática Curricular na Dimensão Escolar, ministrada pela Profa. Dra. Marivânia Furtado.
A primeira equipe, composta por Claudienne Ferreira, Neide Costa e Suelen Borges, apresentou as obras “Ana e os Saberes do Quilombo de Itamatatiua” e “Itamatatiua: Memórias, Saberes Ancestrais e Identidade Quilombola”. Os trabalhos articulam a vivência cotidiana e a oralidade da comunidade, registrando desde a história do território até os saberes práticos de gerações, como a cerâmica, a agricultura familiar e a medicina natural. As obras também abordam a trajetória da educação formal na comunidade, consolidando-se como ferramentas pedagógicas que reconhecem a escola como espaço de construção de identidade.
Na mesma ocasião, a segunda equipe, formada por Denise de Jesus Araújo, Leonilson de Jesus Costa e Rosangela Batista Ribeiro, lançou o material intitulado “Saberes Ancestrais e Espiritualidade do Quilombo Itamatatiua”. O trabalho oferece um olhar sobre a dimensão espiritual e as tradições que sustentam a resistência e a afirmação do povo quilombola de Itamatatiua, detalhando o calendário festivo da localidade. O livro descreve ainda os rituais como a escolha dos festeiros, a busca e o levantamento do mastro, as novenas e a procissão de Santa Teresa, explicando como determinadas práticas tradicionais atuam como mecanismos de cura, proteção e renovação da fé e do pertencimento quilombola.
Ao levarem os saberes ancestrais para o centro do debate escolar, os projetos dos acadêmicos da LIEQ/Uema fortalecem os vínculos entre o conhecimento acadêmico e a prática vivida no cotidiano de Itamatatiua. A iniciativa demonstra, na prática, como a educação pode ser um instrumento de preservação cultural, transformando a sala de aula em um ambiente de fortalecimento identitário.


