Por: Professora Efigênia Magda Vieira de Oliveira| Coordenadora Geral do Programa Unabi da Uema
O envelhecimento populacional constitui uma das transformações sociais mais significativas do século XXI, exigindo das instituições públicas novas formas de pensar políticas educacionais, inclusão social e garantia de direitos. Nesse contexto, a Universidade Aberta Intergeracional — Unabi, vinculada à Universidade Estadual do Maranhão (Uema), consolida-se como uma importante experiência de educação humanizada voltada à promoção da cidadania, autonomia e protagonismo da pessoa idosa. Em 2026, a Unabi/Uema celebra uma década de existência, reafirmando seu compromisso com a valorização da longevidade ativa e da inclusão social por meio da educação.
Criada com o propósito de ampliar o acesso da população idosa ao ambiente universitário, a Unabi representa muito mais que um programa educacional. Trata-se de um espaço de pertencimento, convivência, troca de experiências e reconstrução de trajetórias de vida. Ao longo desses dez anos, o programa tem proporcionado oportunidades de aprendizagem e fortalecimento da autoestima, demonstrando que o conhecimento não possui idade e que a universidade deve ser um espaço democrático, acessível e plural.
A proposta pedagógica da Unabi estrutura-se, neste ano, em três importantes cursos: Educação para o Envelhecimento, Alfabetização e Letramento e Inclusão Digital. Cada um deles responde a demandas concretas da população idosa contemporânea, considerando os desafios sociais, culturais e tecnológicos impostos pela sociedade atual.
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O curso de Educação para o Envelhecimento promove reflexões sobre qualidade de vida, direitos da pessoa idosa, saúde integral, participação social e desenvolvimento humano. Mais do que transmitir conteúdos, o curso incentiva o fortalecimento da autonomia e da consciência cidadã, estimulando os participantes a reconhecerem seu papel ativo na sociedade. A experiência acadêmica transforma-se, assim, em instrumento de emancipação e valorização da história de vida de cada estudante.
Já o curso de Alfabetização e Letramento possui um impacto profundamente social e afetivo. Muitos idosos chegam à universidade carregando marcas históricas da exclusão educacional vivenciada durante a infância e juventude. Ao oferecer oportunidades de alfabetização em um ambiente acolhedor e respeitoso, a Unabi contribui para reparar desigualdades históricas e devolver dignidade a homens e mulheres que, por diferentes razões, não tiveram acesso à educação formal no tempo socialmente esperado. Aprender a ler e escrever, nesse contexto, ultrapassa o domínio técnico da linguagem: representa conquista de autonomia, liberdade e reconhecimento social.
O curso de Inclusão Digital, por sua vez, dialoga diretamente com os desafios contemporâneos da sociedade tecnológica. Em um mundo cada vez mais conectado, saber utilizar ferramentas digitais tornou-se condição fundamental para o exercício pleno da cidadania. O programa possibilita que pessoas idosas aprendam a utilizar smartphones, aplicativos, redes sociais e plataformas digitais, favorecendo comunicação, acesso à informação, serviços públicos e fortalecimento dos vínculos familiares e sociais. A inclusão digital reduz distâncias, combate o isolamento social e amplia as possibilidades de participação ativa na vida contemporânea.
Ao completar dez anos, a Universidade Aberta Intergeracional da Uema reafirma sua relevância como política educacional inclusiva e humanizadora. O programa evidencia que envelhecer não significa afastar-se da produção de conhecimento, mas reinventar possibilidades de aprendizagem, convivência e participação social. Mais do que formar alunos, transforma vidas, fortalece identidades e constrói pontes entre gerações.
A trajetória da Unabi/Uema demonstra que a educação é um instrumento permanente de transformação social e que investir na pessoa idosa significa reconhecer sua experiência, sua memória e sua capacidade de continuar aprendendo, ensinando e protagonizando sua própria história. Celebrar estes1 10 anos, é celebrar a dignidade humana, a inclusão e a certeza de que nunca é tarde para ocupar os espaços da universidade, da cidadania e da vida.
*Artigo originalmente publicado no Jornal pequeno em 05/06/2026
