Por: Lucas Vieira, jornalista e chefe de comunicação na Universidade Estadual do Maranhão
A ciência produzida nas universidades públicas brasileiras é vasta, diversa e socialmente relevante. Ainda assim, boa parte desse conhecimento permanece restrita a artigos acadêmicos, eventos especializados ou círculos universitários. A distância entre o que é pesquisado e o que chega à sociedade ainda é um dos principais desafios da comunicação científica no Brasil. É nesse contexto que iniciativas de divulgação estruturada ganham importância estratégica.
O lançamento do portal Uema Notícias (noticias.uema.br), no mês de Abril, pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema), representa justamente um passo nessa direção. A plataforma foi criada para concentrar e organizar a produção jornalística da universidade, ampliando o acesso da sociedade e da imprensa às pesquisas, projetos e ações desenvolvidas pela instituição.
Mais do que um site institucional, trata-se de uma ferramenta de comunicação pública da ciência. Universidades de todo o mundo têm investido em plataformas próprias para divulgar suas pesquisas de forma acessível. No Brasil, experiências como o Jornal da USP, o portal UFPR Notícias e a Agência de Comunicação da UFSC demonstram que a divulgação científica pode alcançar milhões de leitores e contribuir para aproximar o público do conhecimento produzido nas universidades.
Essa aproximação não é só desejável como necessária. A divulgação científica fortalece a cultura científica da sociedade, amplia o acesso ao conhecimento e contribui para o debate público qualificado. O próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destaca que comunicar ciência é fundamental para que a população compreenda o impacto das pesquisas em áreas como saúde, educação, tecnologia e meio ambiente.
Em um momento histórico marcado pela circulação acelerada de informações e pela disseminação de desinformação nas redes digitais, a comunicação científica torna-se também uma ferramenta de defesa do conhecimento baseado em evidências. Temas como vacinação, mudanças climáticas, inteligência artificial e segurança alimentar mostram como a ciência influencia diretamente a vida cotidiana.
Nesse cenário, as universidades públicas têm um papel fundamental. São elas que concentram grande parte da produção científica brasileira. Segundo dados de bases internacionais como Scopus e Clarivate, cerca de 90% da pesquisa científica do país é produzida em universidades públicas. No entanto, transformar esse conhecimento em informação compreensível para a sociedade ainda é um desafio em muitas instituições.
No Maranhão, esse desafio é ainda mais evidente. O estado possui uma produção científica relevante em áreas como educação, sustentabilidade, agricultura, inovação tecnológica e políticas públicas. Entretanto, historicamente, parte desse conhecimento circula pouco fora dos ambientes acadêmicos. Fortalecer a divulgação científica significa justamente romper essa barreira.
Nos últimos anos, a Universidade Estadual do Maranhão tem buscado avançar nessa agenda. Desde 2023, a instituição vem estruturando uma política de comunicação mais ampla, voltada à valorização da produção acadêmica e ao fortalecimento do diálogo com a sociedade.
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Nesse período, a universidade ampliou significativamente sua presença na imprensa e nos ambientes digitais. Mais de 10 mil matérias sobre a Uema foram publicadas na imprensa desde então, resultado de uma estratégia ativa de relacionamento com jornalistas e de divulgação das pesquisas e projetos desenvolvidos nos campi da instituição. Hoje, a universidade também se destaca pela presença digital, ocupando posição de liderança no Maranhão, a segunda maior do Nordeste e a quarta maior do Brasil entre universidades públicas.
Nos últimos anos, também surgiram novos projetos voltados à comunicação pública da universidade. Entre eles estão a Rádio Uema e a Uema TV, iniciativas que ampliam a divulgação científica em formatos audiovisuais e contribuem para tornar a comunicação institucional mais dinâmica e acessível.
Ao facilitar o acesso às informações institucionais e científicas da universidade, essas plataformas também ampliam a transparência e a visibilidade das pesquisas desenvolvidas por professores e estudantes. Em outras palavras, ajudam a mostrar à sociedade o impacto concreto da universidade pública.
No Maranhão, iniciativas como essa têm potencial para fortalecer o ecossistema científico local. A ciência só cumpre plenamente seu papel quando circula. Por isso, criar canais permanentes de comunicação científica não é apenas uma estratégia institucional, é também um compromisso com a democratização do conhecimento.
Em um estado que busca ampliar oportunidades, valorizar a educação e fortalecer a inovação, comunicar ciência não apenas informa. Também contribui para desenvolver todo esse ecossistema.
*Artigo originalmente publicado no Jornal pequeno em 20/03/2026
