Uma pesquisa de professores e estudantes da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), iniciada em 2022, está ganhando repercussão pelo impacto na quantidade de informações que está gerando com o Projeto “Jacaré da Ilha: saúde de crocodilianos de vida livre do Maranhão”.
O estudo visa, inicialmente, conhecer e preservar a espécie do Jacaré amazônico existente em São Luís, que sobrevive em pequenos rios, lagoas, córregos e, até, em redes de esgotos da cidade. A saúde, distribuição e ecologia desses animais também são uma preocupação da equipe.
De acordo com os pesquisadores, até o momento, nesses quatro anos de estudo, o grupo identificou a presença desses répteis em praticamente todas as bacias hidrográficas da Ilha Upaon-Açu, que engloba os municípios de São Luís, São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, com uma quantidade ainda desconhecida, tendo em vista a pesquisa não ter sido concluída e ser a primeira no Maranhão.

A pesquisa também visa conscientizar a população sobre a importância da espécie para a conservação do meio ambiente, em virtude de ser um animal do topo da cadeia, predador de pragas como: ratos, caramujos e indivíduos que podem causar doenças à população, sem, no entanto, deixar de alertar para os riscos oferecidos por esses animais, dada a sua natureza selvagem, já que, em períodos chuvosos, deslocam-se com maior frequência para os ambientes urbanos.
Segundo a professora Elba Pereira Chaves, que coordena os estudos, o trabalho tem uma importância muito significativa, por não existirem dados científicos disponíveis relacionados a esta espécie de crocodilianos no Maranhão.
“No Brasil existem poucos grupos de pesquisa que trabalham com esses répteis, e, nós, pesquisadores da Uema, estamos estudando a espécie Caimam Crocodilus (Jacaretinga), na intenção de compreender como esses animais vêm sobrevivendo e se desenvolvendo ao longo de tantos anos nesses ambientes urbanos”, aponta a professora.
Ela disse, ainda, que quer estudar mais sobre a relevância desses animais para a preservação do ambiente em que vivem, partindo do princípio de que eles são topo de cadeia, sendo, então, fundamentais para o equilíbrio ecológico em nossa cidade.
Para o aluno do mestrado em Ciência Animal, Vinícius Braz, este trabalho é interessante porque, para ele, é algo inédito em São Luís, visto que esses animais não eram estudados antes desta pesquisa.
“Começamos o estudo com o Caiman Crocodilus, fazendo a análise sanguínea, seguindo com análise de dieta em áreas urbanas e observando o ambiente onde eles estão aqui dentro da Ilha. É um estudo importante e pioneiro no Estado do Maranhão”, declara Vinícius.
No contexto da pesquisa, investigações desse tipo não apenas contribuem para o diagnóstico precoce de patologias e avaliação das condições fisiológicas dos indivíduos, como também fornecem subsídios para entender a capacidade de adaptação das populações nesses ambientes alterados.
Além disso, os estudos deixam claro, que são fundamentais para subsidiar ações de manejo, educação ambiental e políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade e à promoção da saúde única – abordagem que reconhece a interdependência entre a saúde animal, humana e ambiental.
A Ilha Upaon-Açu é um exemplo evidente dos desafios enfrentados pela conservação ambiental em contextos urbanos, abriga ecossistemas de extrema importância ecológica e ambiental, como os vastos manguezais – reconhecidos como berçários naturais para diversas espécies aquáticas.

Entre os animais impactados, destaca-se o crocodiliano Caiman Crocodilus, uma espécie amplamente distribuída pela América do Sul e com ocorrência confirmada em diversos habitats aquáticos do Maranhão. Trata-se de um predador generalista e oportunista de médio a grande porte, com papel importante na cadeia trófica como controlador de populações de presas e reciclador de matéria orgânica.
Na concepção dos pesquisadores, os dados encontrados mostram que o Brasil é responsável pela gestão do maior patrimônio de biodiversidade do mundo: são mais de 120 mil espécies de invertebrados e aproximadamente 8.930 espécies de vertebrados, abrigando cerca de 13,2% da biota mundial. Essa biodiversidade vem sendo comprometida pela expansão urbana desses animais em basicamente todas as regiões do globo.
No Maranhão, os biomas Cerrado (64%), Amazônia (35%) e Caatinga (1%) compõem um mosaico de paisagens ricas em biodiversidade. E em relação à preservação dos remanescentes, embora 19% do Estado seja protegido por unidades de conservação, menos de 5% podem ser considerados áreas de proteção integral e estão localizadas fora do bioma amazônico e da Amazônia Legal.
A pesquisa conta com a participação de estudantes de iniciação científica, do mestrado em Ciência Animal e alunos voluntários. E, também, com o apoio dos professores Daniel Chaves, Alana Lisleia, Nancylene Bezerra, Caio Vinícius Mendes, Alcina Vieira, e Lígia Tchaika.

