A Universidade Estadual do Maranhão (Uema) desenvolve uma pesquisa que investiga o uso do criviri, planta nativa conhecida cientificamente como Mouriri guianensis Aubl., como alternativa natural para reduzir o excesso de cobre presente na cachaça. O estudo foi apresentado no podcast Uema Pesquisa, da Rádio Uema.
A investigação é conduzida por pesquisadores do curso de Química da universidade. Segundo o professor Péricles Nunes, o objetivo é encontrar soluções sustentáveis para um desafio histórico da produção de destilados, já que o cobre é importante para o sabor da bebida, mas pode se tornar um contaminante quando presente em excesso.
Nos testes realizados, cascas e sementes do criviri foram transformadas em um pó capaz de atuar como biossorvente, funcionando como um filtro natural. Os experimentos indicaram uma remoção de até 42,17% do cobre em amostras de cachaça comercial fortificadas com o metal.
“O criviri mostrou um potencial biotecnológico importante. Conseguimos reduzir quase metade do cobre da cachaça usando apenas cascas e sementes da planta, sem processos químicos complexos”, explicou o professor.
De acordo com o pesquisador, o uso do material apresenta vantagens econômicas e ambientais. O criviri é um recurso regional abundante e de baixo custo, além de não exigir tratamentos químicos complexos para apresentar eficiência no processo de remoção do cobre.
“A ideia foi transformar um resíduo natural em solução tecnológica. É um exemplo de como a ciência pode aplicar princípios de economia circular para melhorar produtos tradicionais”, destacou.
A pesquisa também aponta que o biossorvente pode preservar características sensoriais importantes da bebida, como aroma e sabor, diferentemente de alguns materiais convencionais utilizados no processo de purificação.
Os próximos passos do estudo incluem testes com ativação química do material para ampliar sua capacidade de adsorção e análises sobre a interação do criviri com o envelhecimento da bebida em barris. A expectativa dos pesquisadores é que a técnica possa futuramente ser adaptada para aplicação em destilarias e contribuir para tornar a produção brasileira de cachaça ainda mais sustentável.
