Por Cristiane Pestana, Superintendente de Concursos e Seletivos da Uema
Ao longo de quase duas décadas, o Processo de Acesso à Educação Superior da Universidade Estadual do Maranhão (PAES), o nosso vestibular, construiu uma trajetória marcada por mudanças estruturais, ampliação de vagas e fortalecimento de políticas de inclusão. O PAES da Uema consolidou-se como um instrumento estratégico de democratização do ensino superior público do Maranhão, impactando diretamente a vida de milhares de estudantes maranhenses e também de outros estados brasileiros.
O marco inicial do PAES ocorreu em 2008, quando a Uema extinguiu o antigo Programa de Acesso Seriado à Educação Superior (PAES). O modelo seriado, que aplicava provas ao longo do ensino médio, deu lugar a um vestibular unificado, alinhado às novas demandas educacionais e sociais do estado. Ainda naquele ano, ajustes normativos foram necessários para garantir segurança jurídica ao certame, conforme a Resolução nº 843/2008-CEPE/UEMA. O primeiro ciclo ofertou 2.690 vagas e, já em 2009, esse número saltou para 3.840, sinalizando a expansão do acesso à universidade.
Entre 2010 e 2020, o PAES consolidou sua estrutura tradicional em duas etapas. A Resolução nº 920/2010-CEPE/UEMA definiu uma primeira fase objetiva, com 80 questões, e uma segunda fase discursiva de duas matérias específicas por curso e a produção textual. Esse período também foi decisivo para o início das políticas de inclusão educacional. Em consonância com a Lei Estadual nº 9.295/2010, a Uema implementou a política de ação afirmativa por meio de reserva de vagas para autodeclarados negros e indígenasoriundos da rede pública de ensino, efetivadas no PAES 2012. Pouco depois, a universidade avançou ao instituir cotas para pessoas com deficiência, aprovadas em 2011 e aplicadas a partir do PAES 2013. Em 2016, o vestibular passou por nova implementação: a prova objetiva foi reduzida para 60 questões, os pesos das avaliações foram definidos sendo este o último ano onde se exigiu o Teste de Habilidades Específica -THE para o curso de Arquitetura e Urbanismo. O THE persistiu até o PAES/2023 para o curso de Música Licenciatura.
O ano de 2017 marcou outro passo importante: a integração entre a Uema e a recém-criada Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UemaSul). A partir do PAES 2018, o processo seletivo passou a ser unificado para as duas instituições, com vagas distintas previstas em edital. Naquele ano, foram ofertadas 3.879 vagas para a UEMA e 565 para a UEMASUL, fortalecendo a interiorização do ensino superior público no estado.
Entre 2020 e 2022, o PAES enfrentou seu maior desafio logístico em razão da pandemia da COVID-19. O vestibular previsto para 2020 precisou ser adiado e, diante do agravamento da crise sanitária, sofreu sucessivas suspensões. Como resposta, a Uemaadotou um novo formato: a Etapa Única, reunindo prova objetiva e redação em um único dia. A medida reduziu riscos à saúde, mostrou-se eficiente e passou a ser mantida nos anos seguintes.
O ciclo 2025–2026 inaugura uma nova fase histórica. Regido pela Lei Estadual n.º 12.637/2025, o PAES 2026 implementa um sistema robusto de cotas, reservando 50% das vagas de todos os cursos para estudantes da rede pública, com subcotas que consideram renda e critérios étnico-raciais, baseados na proporcionalidade do censo do IBGE. Essa regra não se aplica aos Cursos de Formação de Oficiais, cujo disciplinamento de cotas está regido pela Lei Estadual n.º 10.404/2015. Além disso, o edital trouxe o maior número de vagas já registrado: 5.130 para a UEMA e 850 para a UEMASUL.
A importância do PAES vai além dos números e dos instrumentos normativos. Para os estudantes maranhenses, especialmente aqueles oriundos da redepública de ensino, o vestibular representa uma porta concreta de acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade, muitas vezes a principal via de ascensão social. Para estudantes de outros estados, o PAEStambém se tornou uma alternativa relevante, reforçando o papel da Uema como instituição de referência regional.
Ao longo de sua história, o PAES mostrou capacidade de adaptação, sensibilidade social e compromisso com a inclusão. Sua trajetória revela que o acesso à universidade pública não é apenas um processo seletivo, mas uma política educacional estratégica para o desenvolvimento humano, social e econômico do Maranhão.
Ao completar 45 anos, a Universidade Estadual do Maranhão pode reconhecer no PAES um dos seus mais importantes instrumentos de transformação social nas últimas duas décadas. O vestibular da Uema não apenas seleciona estudantes, mas redefine trajetórias de vida, amplia horizontes e contribui de forma decisiva para a mobilidade social no estado. Ao garantir o acesso de jovens da capital e do interior, especialmente da rede pública, a Uema formaprofessores, pesquisadores, profissionais da saúde,engenheiros, gestores e tantos outros profissionais que hoje atuam diretamente no desenvolvimento do Maranhão.
Considero assim que o PAES consolida-se como uma política pública educacional de alto impacto, conectando a universidade às demandas sociais, econômicas e territoriais do estado. Cada vaga ofertada representa mais do que um número em edital: significa oportunidade, inclusão e fortalecimento do ensino superior público estadual.
Assim, a história recente do vestibular da Uemaconfunde-se com a própria história de democratização do conhecimento no Maranhão, reafirmando o compromisso institucional da universidade, ao longo de seus 45 anos, com a educação como direito, com a justiça social e com o futuro da sociedade maranhense.
E no próximo dia 29, mais de 5.000 pessoas terão suas vidas transformadas após da divulgação do resultado PAES 2026. Desejo, desde já, boas vindas aos novos acadêmicos da Universidade do Estado do Maranhão.
