Um trabalho produzido na Universidade Estadual do Maranhão (Uema) acaba de ganhar repercussão internacional e coloca o estado no centro das discussões sobre o futuro da TV Digital no Brasil. O artigo Advanced ISDB-T—Next Generation Digital TV System: Performance in Field Tests in Brazil, assinado pela egressa Amanda Beatriz C. dos Santos e coorientado pelo professor Leonardo Gonsioroski, foi publicado no IEEE Transactions on Broadcasting, o mais importante periódico científico do setor no mundo.
A pesquisa analisa o desempenho do ISDB-T Avançado, tecnologia desenvolvida pela NHK, emissora pública japonesa, e uma das candidatas a compor o novo padrão de TV Digital brasileiro dentro do Projeto TV 3.0, conduzido pelo Ministério das Comunicações. Amanda e o professor Leonardo representam a Uema no grupo nacional de pesquisadores responsáveis pelos testes que definirão o futuro sistema de transmissão do país — incluindo o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).
“A TV Digital segue sendo a plataforma mais econômica e democrática para informar, educar e entreter milhões de brasileiros. A pressão por mais qualidade, mobilidade, interatividade e personalização exige soluções tecnológicas robustas, e é isso que estamos avaliando”, explica Leonardo Gonsioroski.
A nova geração da TV Digital promete transformar a experiência do telespectador. Segundo Amanda, os aparelhos passam a operar de forma semelhante a smartphones e tablets: navegação por aplicativos, múltiplas emissoras ao mesmo tempo, comandos por voz e gestos e avanços significativos em acessibilidade, incluindo suporte ampliado à Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Além do impacto científico, Amanda destaca o simbolismo da participação feminina na pesquisa. “Fazer parte de um projeto nacional liderado por uma mulher, a professora Natália Fernandes (UFF), e integrar uma equipe com pesquisadoras em posição de destaque é inspirador. Representar a Uema e o Maranhão nesse processo de transformação tecnológica é uma honra”, afirma.
Os pesquisadores da Uema integram o grupo responsável pela avaliação da Camada Física das tecnologias testadas, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). A nova rodada de testes está prevista para o segundo semestre de 2023.

